Virgínia Di Lauro em seu trabalho, utiliza o encontro dos meios como o vídeo, objetos-coisas-máscaras, fotografia e pintura, diretamente e indiretamente como ponto de partida e linguagem, na investigação do ato entre o acontecimento (real, corpóreo) e a imaginação, a natureza e o erótico, as emoções humanas e a experiência interior, tendo o corpo (sobretudo da mulher) como centro poético e sensível das relações com a vida íntima e coletiva, diante das normas estabelecidas que obedecem aos padrões impostos e inventados pelo patriarcado.
A partir disso, interessa a artista as possibilidades de experimentar o corpo em sua multiplicidade e variação, modificações e mutações, atmosferas, sensações e livusias, como fonte e frestas de tatear o espanto, os mistérios, o estranho, e desobediências, através da criação de imagens, seja por meio da fotografia encenada ou performática, onde a artista utiliza seu próprio corpo como meio de construção de corpos possíveis e impossíveis no real, utilizando ferramentas digitais e manuais como pós contaminador e modificador do ato fotográfico, onde encontra um campo aberto de experimentação e encontro com os outros meios que trabalha. Como a pintura, que acontece através de corpos e espaços imaginados, ora beirando o grotesco, ora, fundida a elementos da natureza, ou ao que sugere tais elementos. Ou, em estado de caos, de inquietação e assombro, ou solitária, erótica, de descanso, onde o corpo pode flutuar.
Dentre isso, questiona o que é visto e reconhecido como qualidade, na contemporaneidade de excessos e padrões estéticos limpos e lisos das imagens, que também capturam os corpos e as subjetividades, sobretudo da mulher. A artista questiona construindo imagens que beiram o errático, o sujo, o contaminado. Há sempre um rastro de sujeira, sutil ou excessiva.
Em seu trabalho com vídeo, utiliza imagens coletadas do cotidiano, que se emaranham a imagens encenadas ou performáticas, que se misturam aos ruídos e sons também coletados do cotidiano da artista, onde brinca com excessos de imagens, com as palavras e sons, criando composições e atmosferas visuais ficcionais, caóticas e poéticas da realidade e das sensações.
Seu trabalho com objetos-coisas-máscaras reaproveita sobras, descartes, como restos de papeis, tecidos, plásticos, papelão, arames, que se tornam parte estrutural tanto das máscaras quanto dos objetos de formas híbridas, onde a artista compõe com outros materiais como tinta acrílica, PVA, talco industrial, verniz, o que estiver ao alcance da realidade material, os objetos e máscaras compõem muitas vezes o ato fotográfico, os vídeos, outras vezes a superfície da pintura, se relacionando diretamente ou indiretamente com as imagens de maneira expandida no espaço.