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Minha poética é atravessada e afetada, pela realidade entrecruzada a imaginação. Através dos acontecimentos e da experiência interior, do delírio, do espanto e da natureza, do erótico e das emoções humanas. Efetuando-se sobretudo, através do corpo e do feminino, que variam entre suporte e temática, como fonte geradora de outros corpos, atmosferas, livusias, mutações e modificações.

A partir daí, teço possíveis de criação de imagens, caminho por onde questiono ao meu modo as normas estabelecidas sobre o corpo e sobre nossas relações com a vida na contemporaneidade, assolada pelo capitalismo e pelos moralismos patriarcais machistas, que distorcem nossos sentidos, descolando-nos e distanciando-nos das múltiplas possibilidades de ser, sentir, pensar e estar, de sonhar outras imagens que nos permitam atravessar os desastres.

Nas minhas imagens, seja por meio da pintura, do desenho, da fotografia ou do vídeo, tateio atmosferas onde o corpo, sobretudo da mulher, pode apenas ser e estar. Seja entre, ou seja fundida aos elementos da natureza; ou aos que sugerem tais elementos, ou numa situação caótica, erótica, estranha, inquietante, assombrosa. Ou, então, solitária, de descanso, onde o corpo flutua. Mas também num fundo longe e escuro: vazio. Podendo atravessar o terror, a violência, o desastre, mas também dançar no caos, relacionando-se com o estranho que é ser o que ele é, um corpo, entre a vida e a morte, modificando-se, podendo ser muitos, sem receios, tateando outras formas de presença, outras corporalidades possíveis e impossíveis no real, outras maneiras de habitar o tempo, de sonhar mundos outros.

A pesquisa que desenvolvo se dá no encontro de possibilidades que a matéria, o corpo, o espaço físico e o digital me apresentam. É, em todos os sentidos, insubmisso e insurgente, desejoso de desobediências, tanto poeticamente quanto esteticamente.

Cruzo diferentes linguagens e técnicas como um caminho de experimentação, de composições e de possibilidades. Como interferências fotográficas, digitais e manuais nas imagens, pintura, a performance e ao que beira a imagens "encenadas", o vídeo, a palavra e a construção do que chamo de objetos-coisas-máscaras.

Independentemente do meio, acontece nesses ritmos: tudo está em tudo, em múltiplas possibilidades.

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©Virgínia Di Lauro

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