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de livusia
e desobediência
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o corpo
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\como quem escreve um poema/
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apesar de.
crio, como quem escreve um poema
uma música
um filme
minhas imagens, meu trabalho,
não nasce como uma tese, nem com discursos infalíveis para provar a qualidade de minha produção
meu trabalho nasce através do desejo, do fôlego, da coragem
nasce e se cria em como o mundo me toca
e no como toco a vida
se existe qualidade, está mais para a qualidade das pedras (como um poema de Manuel de Barros)
ou no redemoinho (como em Rosa)
como expectadora, vejo as artes visuais como se abrisse um livro,
ou lesse um poema, escutasse uma música, visse um filme, dançasse,
me deslocando, espantosamente, violentamente, ou, através de uma "bruta delicadeza",
|dessas "coisas" que chegam num canto sem palavra, ou que escapam as palavras,
ou uma palavra, abrindo uma coisa sem nome a princípio (...),
faíscas
fogo
borbulhando / ou questões, ou coisa que se sente, se pensa, ou, ou, onde* nada* se explica, ou se tem uma finalidade....(...)|
o meu trabalho/pesquisa/criação/produção/poética/processo, acontece assim
e dança com as questões, assuntos, interesses, que se apresentam no corpo de meu trabalho em constante continuidade
(interessa a mim a poesia das "coisas")
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sou uma artista independente, como a maioria dos artistas, na borda circulando espiralar a sua maneira e no como dar, dentro da realidade imposta pelo capitalismo, com meus poucos recursos, como o Elefante de Drummond.
Infelizmente, ou felizmente, a maioria dos artistas independentes são impossibilitados fisicamente/espacialmente/materialmente, de circular suas produções/pesquisa/criação, por espaços como instituições/galerias etc, espaços destinados a artistas que de alguma maneira condizem com as demandas de cada espaço, curadorias, interesses, etc. Ainda que "cumpram" ou tentem, muitas vezes os passos, modos e moldes, inventados pelo sistema/mercado do campo das artes visuais, não se encontram na circulação efetiva, como alguns poucos artistas. E isso deveria ser um direito, pois todo artista é um trabalhador, assim como fábricas/empresas etc, não existiriam sem o trabalhador, as galerias, instituições, curadores etc, não existiriam se não existisse o artista trabalhador. No entanto, os artistas independentes que não condizem com os moldes/passos, do que é vendido por muitos cursos e acompanhamentos dos entendedores-não-artistas do funcionamento do sistema/mercado para um carreira artística, seguem criando, produzindo, pesquisando e partilhando a sua maneira. Ou seja, também existem, ainda que não funcione dentro de suas'nossas realidades, o "tem que, para ser assim", "deve ser assim, para construir isso ali", continuam criando, produzindo, continuam independente dos nãos e sims, da precariedade, das impossibilidades. Continuam. E este site, é uma maneira de partilhar um pouco do meu trabalho, dentro de minha realidade.
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